domingo, 6 de dezembro de 2009

Real Vienna Goulash do Potrefená Husa

Outra coisa muito legal que fizemos em Praga foi, assim como em Berlim, um walking tour por toda a cidade. Durou umas 5 horas, e isso dá uma fome... Lembrei exatamente mais uma das dicas que o Gabe Britto me passou, e bati essa dica com a nossa guia. Ela balançou positivamente a cabeça e abriu um sorrisão!
Nem tinha o que duvidar do Gabe. Ele não nos colocaria em fria. Ainda mais tratando-se do Potrefená Husa, um lugar que pra ele, é o que melhor resume a cidade. E olha que o cara morou lá por um ano, voltou outras duas vezes, em seguida, e mesmo assim segue amando-o.
De fato é bem divertido. Se estivesse localizado em qualquer outro lugar do mundo, seguramente o chamariam de "pub", em função da atmosfera boemia, da música boa e do entra-e-sai de com canecões de chopp.
O lugar é, digamos assim, muito gostosa. Ops, gostoso. Não saberia, assim como absolutamente todos os membros do staff, contar a história desse lugar. Mas certamente deve ter um passado bem peculiar, já que não tem cara de ter sido a vida inteira sede do Potrefená Husa. Inclusive, outro um bom tema de casa seria descobrir o que diabos significa "Potrefená Husa".
Tijolos e pedras superantigas, mas com frufrus contemporâneos. Mesmo assim, fica evidente a idade avançada dessa taberna. Tem uma cara de que serviu de esconderijo pra alguma coisa, bem estranha, porque é fundo pacas.
Uma das coisas que mais nos chamou atenção nessa noite foi o pessoal que tava comemorando o aniversário da menina de coletinho preto, rabinho de cavalo, bracinhos torneados, pele douradinha, olhos azuis, sorriso lindo e... bem, onde é que eu tava mesmo? Ah, o grupo tava bem animado, e fizeram uns quantos vira-viras de shots de absinto.
O meu pai se puxou no pedido dele, porque atacou uma coxa de pato caprichada com molho enferrujado puxado no bacon. Não tive a oportunidade de provar porque, como foi o primeiro prato que fotografei, ainda tive que tirar fotos do prato da minha mãe e do meu. E quando terminei, virei pro meu pai e ele tava agarrado no último osso da coxinha.
O da minha mãe eu consegui provar, porque ela foi mais devagar com o dela. Não faço a menor idéia do que seja, nem o motivo que ela encontrou para escolhê-lo, já que ninguém na mesa sabia direito o que era chunks roasted pork with garlic. Sim, a parte "with garlic" a gente entendeu. Agora, que tava bom, isso tava. E muito.
Em homenagem ao Gabe Britto, pedi o real vienna goulash. Comeria um desses todos os dias da minha vida. Até dois, quem sabe. É feito muito no capricho. O negócio é de responsa mesmo. Velho, tinhas toda a razão em ter este prato como uma das grandes experiências da tua vida!
A sobremesa é que não tinha muito a ver com o conceito do jantar. Mas nunca subestime o poder de um Häagen-Dazs. Ainda mais quando a bola de chocolate bem acompanhada de outra de doce de leite. A combinação mais tchaptchurãns no quesito "sorvete". E curti também o pratinho.
Todos sabem, pois é amplamente difundido, que Praga é a cidade que mais sedia despedidas de solteiros na Europa. Talvez por culpa de lugares como o Potrefená Husa, já os homens, basicamente, vão a Praga em busca de duas coisas: lindas mulheres e cerveja barata. Pois é, gastamos 60 reais por tudo isso...


Potrefená Husa
Resslova 1, Praga 2 - Nové Město
Fone: +420 224 918 691
Todos os cartões
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quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Bar Lobo y Las Tapas del Raval

Ir embora da Itália foi uma tarefa difícil. A sorte é que o próximo destino seria Barcelona. A vibe contagiante da cidade me animou afu. Fiquei num hotelzito tudo a ver no Raval e reencontrei meus companheiros de viagem Didi e Gustavo.
Ao lado do hotel, topamos com o Bar Lobo, um bar de tapas irado do qual já tinha ouvido falar bem. Um look lá dentro pra ver como era e logo arranjamos uma mesinha na calçada que tava um luxo.
Enquanto o Gustavo pirava com um rock das antigas que um artista de rua fazia na frente do pico, eu fui direto pra carta achar um refrescante Gran Feudo Rosado 2008.
Começou o desfile de tapas. Pra abrir os trabalhos, nada seria mais perfeito que o jamón ibérico con pan.
A Didi pirou tanto com o jamón que pediu uma ración, que ainda vinha numa porção maior que as tapas.
A própria Didi, pediu também uma Pallarda de pollo, soja y rúcula. Apesar de fininho demais, o frango era bem temperadinho.
Todo mundo comia todas as tapas. Mas cada um fez um pedido, e o Gustavo queria carne. Sendo assim, chamou numa Tagliatta com rúcula y parma. Suculenta e quentinha.
Pra fechar, pedi umas Cigalas a la plancha. Sente o sucesso do visual. E o sabor eu nem preciso comentar...
O clima cool do lugar e o solzinho que batia estavam tentadores. Mas o lance na Espanha é picar de bar em bar. Com isso, pagamos 80 euros por tudo isso e tocamos o barco pra Bogatel. Ô Barceloca!

Bar Lobo
Pintor Fortuny, 3
Raval – Barcelona – España
(+34) 934.815.346
Localização no Mapa

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Meca no Pôr do Sol Açoriano

No último final de semana, eu me mandei para Floripa, o coração não aguentava mais de saudades e as vezes preciso abandonar tudo, nem que seja para ficar um ou dois dias curtindo minha ilha. Meu tio Kike que é o gaúcho mais manézinho que se tem noticia - o sotaque de gringo ele mantém - havia me falado sobre um restaurante em Sto. Antônio de Lisboa onde era servido um peixe chamado Meca e que era simplesmente fantástico, o Pôr do Sol Açoriano.
O lugar fica no charmoso Caminho dos Açores e só o passeio por ali já seria um belo motivo para ir conferir. Na chegada, nada de novo, um restaurante típico de Floripa, só que aí que tá, restaurante típico de Floripa sempre tem uma vista incrível e um clima super relax, e ali não é diferente. Claro que eles tem uma parte interna, mais arrumadinha e tudo mais, mas vamos deixar isso para os dias frios do inverno. É primavera e meu grande amigo Thiago "pança" Mansur e eu, escolhemos uma mesa na areia mesmo, de frente pro mar, para aproveitar a luz do fim de tarde.
Alá o Pança tentando não afundar o corpitcho na areia!
Apresentações feitas, o Pança firmeza na cadeira e voltemos à nossa missão, que era provar o tal de peixe Meca. Mas perai, Meca who? Pois bem, fui lá pesquisar, para não cometer nenhuma gafe, e descobri que o tal de Meca é um peixe de águas profundas (lembra um pouco o Merlin) encontrado aqui na costa brasileira mesmo, mas que raramente vimos porque quase tudo que é pescado aqui acaba indo para fora do país. Sente só tamanho da posta do bicho!
Enquanto preparavam nosso peixe, eu chamei numa caipirinha para relaxar e entre uma foto e outra, dava uma bicada ali para não perder o rebolado.
A fome estava enorme e não podia apressar o cozinheiro, afinal assar um peixe daquele tamanho demora um pouco. Enquanto isso, uns bolinhos de siri só para, como diria o Diogo, "regular a lenta '' (nunca entendi isso, mas na hora fez todo sentido do mundo).
"Lenta regulada?!" Si, pero no mucho, que tal uns camarões brancos, sem casca e ao alho e óleo?!
Entre um petisco e outro, um gole de caipira ali outro aqui e muito papo para botar em dia, eis que eu vejo um garçom equilibrando um prato enorme. Não tive dúvida e me levantei para receber a estrela do nosso jantar e para registrar cada momento.
O prato vem acompanhado de arroz branco e uma salada de palmito, mas confesso que passei os acompanhamentos para me dedicar única e exclusivamente àquilo que mais parecia ter sido enviado por Deus, Jah, ou, nesse caso, Neptuno. O negócio é suculento, com uma casquinha crocante por fora e uma espécie de capa de gordura ao redor. Sem dúvidas eu provei a "picanha" do mar. Olha só um pouco mais de perto e tenta imaginar.
Completamente encantados e satisfeitos, pagamos os 160 reais pela conta toda. Um pouco caro, mas levando-se em consideração tudo que comemos e a experiência única que tivemos, digo que valeu cada centavo e que volto lá assim que conseguir escapar novamente.


Pôr do Sol Açoriano
Rua Caminho dos Açores, 1595
Santo Antônio de Lisboa

Fone: (48) 3235-2665
e 8404-6797
pordosolacoriano@gmail.com

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Kampapark: Uma Extravagância Gastronômica Obrigatória!

Um dos grandes experts em Praga é o Gabe Britto. Lógico, o cara morou um ano lá e já tem 3 carimbos da República Tcheca no passaporte. Mas de nada adiantaria se o tino dele pra lugares diferenciados não estivesse ajustado.
E foi ele que me deu (entre outras) a barbada do Kampapark, um restaurante que fica no nível do Rio Vltava, e é o que há de mais neogastronômico numa cidade que ainda vive uma gastronomia super típica e tradicionalona.
Atravessamos a Ponte Carlos já mirando o Kampapark (a primeira foto não nos deixa mentir, e o Kampa tá bem no centro da imagem). O visual, tanto de fora pra dentro, quanto de dentro pra fora, é indescritível. Mas a gente quer sentar no nivel do rio, tá moço? E não como esse pessoal que tá um andar acima do rio, mesmo que a vista para a torre da ponte esteja mais em primeiro plano do que lá embaixo.
Ahá, agora sim. That's my scenario. É muito impressionante essa pompa toda num lugar tão, sei lá, tão... fácil de ficar com cara de pega-turista. Só se fala tcheco no recinto, pouquíssimos turistas, e garçons falando um inglês impecável e com uma educação invejável, difícil de se encontrar na cidade.
Pres'tenção e diz se não é o lugar ideal para um pedido de casamento. Nada nessa noite foi mais apreciado do que essa vista. Só suspiros, suspiros e suspiros profundos...
Entre um suspiro e outro, reflexões e questionamentos pessoais, do tipo "cara, que lance... onde é que eu vim parar!", ou "pára o tempo, pára o tempo que essa noite não pode terminar".
Pois é, mas ela termina. E rápido. Portanto, já que acaba, vamos beber né! Minha mãe, pra variar, pediu um vinho branco da casa, e uma água com gás. Já tinha visto essa água antes, no Hakkasan de London. E ela é sinônimo sabe de quê? De conta graúda. Te segura aí pai.
Pra amenizar, fui de cervejinha com o pai. Cervejinha o escambau, essa é A cerveja. Melhor do mundo. O Tiger Woods das cervejas. O Jenson Button das cervejas. O Rolls Royce das cervejas. O Barcelona das cervejas. A Flávia Alessandra das cervejas.
A minha mãe, que tá sempre inovando e pedindo os pratos mais estranhos do cardápio (herdei isso dela, inclusive), pediu um Octopus grelhado com zucchini. E devia estar bem bom, porque mal e mal deu tempo pra tirar a foto.
O meu pai foi conservador e pedi um bacalhau com raviólis e espuma de lagostim. Deve ser uma beleza.
Já eu, o diferentão da estrela, fui de Halibut no azeite de oliva, com trufas negras, bacon crocante, batatinhas e espuma de vegetais. Indico fortemente quando você estiver por lá. Não porque será uma das poucas oportunidades de provar Halibut, mas sim por ser excelente mesmo.
A Lela tem uma filosofia que eu acato completamente: todo o restaurante que se preze, que tenha como especialidade a gastronomia de sei-lá-onde, por uma questão de autenticidade, deve servir sobremesas triviais pra não ofuscar os pratos. É justo. Não tem como atacar em todas as posições. Especialista é especialista em uma coisa, não em todas. Por essas e outras que pescamos um fondant de chocolate amargo com sorvete caseiro de cardamomo muito honesto.
Pois é, infelizmente a noite havia chegado ao fim. Só fomos embora porque essa tinha sido apenas a primeira food experience em Praga. Teríamos muitas outras pela frente. Ainda mais sabendo que estes 100 reais por pessoa teriam sido a maior extravagância possível de se cometer em plena República Tcheca. Seria tudo daí pra baixo. Ô vida cruel essa!


Kampapark
Na Kampe, 8b
Praha 1 - Mála Strana
Fone: +420 296 826 112
Todos os cartões
http://www.kampagroup.com/
Localização no mapa

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Um Dia de Turista em Milão

Recentemente, começamos com uma modalidade nova de posts chamada “dia de turista”. Já rolou Londres, Amsterdam e Berlim. E hoje é a vez de Milão.
O centro da cidade requer no mínimo um dia para visitação. O ponto de partida é sempre o Duomo, a catedral gótica que é uma das construções mais absurdamente fantásticas que eu já vi. Depois de meia hora tentando entender aquilo tudo, ande um pouquinho pelas ruas, quebre a direita numa pseudo galeria e você vai encontrar um restaurantezinho honesto. Pra turista? Sim, bem pra turista, mas com comida boa. O nome dele é Ristorante Al Mercante. Optei pelas mesas na rua que são bem mais interessantes, por ficarem no meio de prédios antigos.
Uma tábua de formaggio me pareceu mais que bom pra abrir os trabalhos. Tinha pecorino, gorgonzola, reggiano e por ai vai.
E se é pra ser turistão, então bora chamar num clássico do menu: tagliatele a bolonhesa.
O Peretti, mais acostumado com a Itália que eu, provou umas iscas de contrafilé com risoto de açafrão.
Depois do almoço rápido, recarregamos as energias pro resto da pernada. Saímos direto pra conhecer o Teatro alla Scala. Dele, topamos com a imponente Galeria Vittorio Emanuele II.
Sabia que por ali, havia um lugar super tradicional que servia bons gelattos que eles mesmos produziam: Il Gabbiano.
Experimentei um copinho com três sabores. Um era o baccio, que é de chocolate mais levinho. Outro era de canela com um sabor e aroma ótimos. E o terceiro era de frutas vermelhas. Este último, preciso confessar que não curti. Era forte demais e apagava os outros.
Ainda faltava conhecer o Quadrilatero D’Oro, também conhecido como Quadrilátero da Moda. Quatro ruas chiquetérrimas oferecem o que há de melhor e mais novo no mundo da moda mundial.
O destino gastronômico da região foi a Pasticceria Cova, lugar que nasceu simplesmente em 1817 e que mais parecia um filme daqueles clássicos.
A elegância do lugar começava pelos garçons antigos da casa, todos muito bem alinhados.
Na Cova, provei um gelato de creme com calda de chocolate Cova, biscoitos, chantilly e amêndoas. Sem palavras...
Vale até um replay por outro ângulo.
A minha pedida tinha sido incrível, mas tenho que reconhecer que o ruivo me ganhou nessa. Foi num Tiramissu daqueles que só se vê na Itália.
Ao final, tínhamos conhecido toda a parte turística do centro e experimentado ótimos pratos, sorvetes e doces. No total, gastamos cerca de 35 euros por cabeça por tudo. Bem em conta para um dia cheio desses.

Ristorante Al Mercante
Piazza Mercanti, 17 – Centro
Milano – Itália
(+39 02) 8052.198
http://www.ristorantealmercante.it/

Il Gabbiano
Via Ugo Foscolo, 3
20121 – Centro Storico – Milano
(+39 02) 7202.2411

Pasticceria Cova
Via Montenapoleone, 8
20121 - Milano - Itália
(+39 02) 7600.5599
http://www.pasticceriacova.com/

Home Buenos Aires: Drinks que Valem por um Prato

Geraldo Figueras é o nome da fera. Ele é um guri medonho que resolveu intercalar suas semanas entre Porto Alegre e Buenos Aires. É o amor, né! Numa dessas, ele descobriu um lugar ótimo para manter a dieta em dia. Vai Figueras!

Buenos Aires. Capital. Caótica. Cosmopolita. Uma complexa mistura dos modernismos urbanos e suas influências com o tradicionalismo conservador do seu lado europeu. Enfim, o centro portenho é a típica metrópole ruidosa, uma improvável escolha para aqueles que buscam um pouco de paz, certo? Em uma dessas andanças por Palermo Hollywood, pedaço em ebulição do gigantesco bairro trend setter, entre uma centena de opções de restaurantes e bares de fachadas atraentes foi que resolvi entrar num hotel. Desculpe, um hotel boutique, algo que eu sei o que é mas não sei explicar. O simpático e pacato Home.
Ignorei a crença de que cartão de crédito significa dinheiro infinito, não pedi um quarto e segui até o bar no fundo do hotel. Em um primeiro momento, um decoração minimalista, clean e bem iluminada.
Um bar pequeno, despretensioso, que não faz jus ao seu potencial, e uma garçonete envergonhada, apressada em pedir para o querido aqui que guardasse a sua câmera. Ai, tá, desculpa!
Prometi que guardaria a câmera. As vezes eu minto. Gostei das mesas e do bar, mas segui em frente – ao fundo, na verdade -, e ainda botei o olho na barra do lado fora.
Claro que eu já vi o que queria, mas em termos de texto fica bem melhor um suspense. Ok, não fica. Mas a verdade é essa: eu estava de olho no pacato, silencioso e fresco jardim que me chamava aos prantos.
Fui direto sentar na beira da piscina, curtir o cheiro de flores que impregnava o lugar. Mas dei meia volta, pois uma ameaçadora placa avisava que as tais cadeiras eram somente para hóspedes. Ai, tá, desculpa!
Mas o deck era uma opção igualmente deliciosa, então me atirei de cara no cardápio e esqueci, por três minutos, que eu tinha que escrever pro Destemperados.
A oferta de pratos interessantes era bem farta, mas dois fatores conspiraram contra a chatarra: uma fase etílica de vosso interlocutor, e um calor portoalegrense (que segundo o relatórios climáticos já merece o posto do adjetivo “so last year” senegalês). Além disso, eram tantos tragos com ingredientes onipresentes nas melhores dietas que eu menti para mim mesmo que isso seria o equivalente a uma refeição. Porém líquida. Eu sempre quis ser astronauta mesmo. Ok, mas primeiro algumas bruschettas para “forrar”: salmão defumado com cebola caramelada, tomates cerejas com lascas de grana padano e azeitonas, roquefort com nozes e endívia, e cogumelos salteados com presunto cru.
Agora sim, ao que interessa. Para começar levinho vamos de Les Paul, uma mistura de vodka, Cointreau, água de pêra e tabasco. Para arder a boca no inferno. Queima mesmo, coisa linda.
Precisava de água, mas água faz mal. Então a pedida foi um Voy Contigo A Home, ou seja, rum ouro, polpa de morangos, menta, lima, calda de açúcar e redução de vinagre balsâmico. Frutas, vinagre. Para manter a dieta.
Diferente de tudo que já tomei, e bom demais. Não tinha como parar naquela hora, então meu olho brilhou (de felicidade, claro) com o Scarlet The Tart: infusão de vodka com frutas vermelhas, licor de cassis, lima, licor de pêra e cardamomo. Lembra do sorvete Puxa? Acho que era da Yopa. Enfim, era o próprio sorvete. Porém líquido, e que induzia ao estado zureta. O céu na Terra.
Admito que o mundo já estava mais colorido a essa altura, e que o meu castelhano cafajeste imperava no ambiente. Assim que pedi uma sugestão refrescante para a garçonete que, sem titubear, afirmou confiante: “el xhauehxuahrte”. Foi o que eu entendi, mas hoje tenho consciência de que não era bem isso. Acho que tinha gin, suco de limão, e gengibre, além de outras coisas.
A refrescante e saborosa experiência do último copo me fez raciocinar melhor, e meu lado responsável me sugeriu fazer mais um lastrinho. Pedi mais bruschettinhas, meu vício, mas dessa vez todas com a mesma e favorita cobertura: roquefort e afins.
Mas o diabo sentado nos meus ombros riu da minha cara por pedir comida, e eu, maduro como sou, respondi com um Albert’s Rocket: tequila ouro, suco de limão, calda de açúcar, clara de ovo, folhas de rúcula e azeite de oliva. Basicamente uma salada no copo, com a óbvia diferença que este drink não faz mal.
Resultado disso tudo? Uma promessa de não tirar fotos quebrada, uma sensação de paz absurda, R$80 a menos no bolso, e uma imunidade emocional garantida até o cair da noite, claramente estampada no sorriso besta e nos olhos semi-cerrados de minha pessoa.


Home Buenos Aires
Honduras, 5860 - Palermo Hollywood
Cap. Federal, Buenos Aires
Fone: 54 11 4778-1008
www.homebuenosaires.com

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Susuru: Tome Sua Sopa Fazendo Barulho!

Último dia de Berlim. Triste. Deprê. Chateado. Definitivamente é uma das minhas cidades queridas do coração, e não é de hoje. Daí como no dia seguinte partiríamos para Praga e meus pais já não tem o mesmo pique que eu, a sugestão deles foi que a gente escolhesse um lugar que estivesse a uma walking-distance do hotel.
Uhm, xovê... revisei aqui, procurei ali, e vi que tinha um lugar que era a minha cara, super pertinho e que era um outro conceito de japfood que não sushi-sashimi: o Susuru, um bar de udon noodle soups mega descolado.
Tão descolado, que um dos grandes cartões de visita de lá é "ser projetado pelos famosos arquitetos fulanosman e beltranossen" (fulano e beltrano, em alemão). Exemplo disso é a dificuldade de tirar fotos lá. Não podia, porque não podia, porque não podia. Ops, escapou o dedo aqui, sorry!
Ai, puxa vida, sem querer bati o dedo aqui no mesmo botão novamente. Veja só que temeridade... Prometo que não vai mais acontecer. Pior que nessa vez a moça me viu e me olhou com cara de furiosa. Japonesa furiosa é mais furiosa ainda. Dá golpe de karatê e tudo.
Então disfarça e tira foto das "ferramentas" da noite. Japanese noodle bar, lembra? Com garfo e faca que não seria. É um bom teste de habilidade largar o cidadão só com esses dois elementos na frente e dizer "te vira magrão". Se bem que agora é fácil, porque até video-aula eles tem.
Aí, pra ganhar um tempinho e ir pensando em como usaríamos os apetrechos, pedimos uma cervejinha cada um e começamos a definir os pedidos. Mas antes deles, uma pergunta pra japa karateka: "o que é Susuru, hein?". Ela comentou que era aquele barulho que os japoneses emitem sempre que tomam sopa. Manja?
Minha mãe foi de Kamo Udon, que levava peito de pato, shitake, soja e cebolinha verde. Brilhante o pedido. Não esquece de "susurar", né mãe?
Meu pai foi de Zumire Udon, com ginger meat balls e porco. Sucesso total. Teve um pouco de dificuldade para comer, mas matou a charada. Bom, dificuldade meu pai tem até para abrir a embalagem plástica que envolve um dvd, então não é parâmetro.
Como é que eu fiz com o meu Ebi Kim-chi Udon, que levava pimenta (oba!), camarões e Kim-chi (que eu não sei o que é mas era bem bão)? Imitei a minha mãe, que é megaentrosada com a cultura oriental: primeiro usei a conchinha de porcelana para tomar a sopa (com barulho!), e quando ficou no fundo só o noodle e os toppings, mandei ver de hashi. Vamo time!
Pratos sensacionais, critério educativo nota dez, lugar lindo e premiado por sei-lá-quem, e baratex: 12 euros por pessoa. Quero ver Praga nos surpreender tanto assim agora. E Berlim, te amo e já sinto saudades...


Susuru - Japanese Noodle Bar
Rosa Luxemburg Strasse, 17 - 10178
Mitte - Berlim
Fone: 030 2 11 11 82
www.susuru.de
Não aceita cartões
Localização no mapa

terça-feira, 24 de novembro de 2009

O Lado Cool de Milano

Quando eu estava decidindo a minha trip pela Europa, tinha uma cidade que eu embestei que deveria ir: Milão. Por que? Vários motivos como o fato de eu estar trabalhando muito com tendências de comportamento e pela curiosidade de ver como funciona o centro econômico da Itália.
Pesquisando daqui e dali, acabei descobrindo a 10 Corso Como. O lugar é espetacular, com uma loja hiper alfa (e cara), uma livraria daquelas que dá vontade de levar tudo pra casa, exposições de arte e por aí vai. Até um hotel de 3 suítes eles oferecem. Tudo isso com bom gosto e sofisticação acima do normal. Eu curti muito a vista da loja para esta parede antiga com salas e quartos.
Eis que no andar térreo encontramos o 10 Corso Como Garden Café, onde você pode saborear algumas delícias em meio a um jardim tranqüilo.
Só posso dizer que é parada obrigatória entre uma loja e outra do complexo.
Era fim de tarde, então a idéia minha e do Peretti era beliscar algo. Era beliscar, até a hora que a gente viu a carta de doces. Eu não tive a menor dúvida que provaria o semifreddo de nozes com calda de chocolate quente. Delicioso!
O Peretti se atirou num mousse de chocolate bem cremoso, com uma caldinha de cappuccino.
Fundamental destacar o belo set list do lugar. Até página no menu com as músicas que tocam lá eles oferecem.
Pra beber, o Peretti pediu um cappuccino, mantendo a vibe cafeteria.
Cafeteria? Só se for pra ele. Eu tava mais no clima bar e happy hour. Tanto que pedi um mojito cubano.
A noite foi caindo e eu tomei uma das decisões mais sábias da noite. Liguei para a Paula, uma querida amiga e competentíssima estilista que mora na cidade e sabe onde se encontrar o que há de melhor na cidade. Ela me disse “aproveita que tu ta aí e anda uma quadra até encontrar o L’Incoronata, um restaurante escondidinho que só vai gente daqui.” Soou como um mantra pra gente. Bora!
O ambiente dentro do restaurante era bonitinho até, mas nada no mundo faria a gente não sentar nas mesinhas da rua. Além do desfile de italianas bem vestidas na movimentada rua, o clima ameno estava propício pra ficar ali jogado.
O menu era todo escrito a mão, e algumas coisas nem davam pra entender direito. Mas a atendente esbanjou simpatia e nos ajudou a decifrar tudo.
Vitela com ervas finas foi a pedida do ruivo. Bem interessante.
Eu fui num filleto di manzo all’aceto balsamico. Eu nem sou o maior fã de aceto balsâmico, mas o aroma e o sabor desse filé eram de chorar no cantinho. O sucesso foi tanto que as mesas ao lado só pediram isso depois.
Para acompanhar pedimos lentinha picante...
E uma pepperonata ultra bem temperada.
Ah, já ia esquecendo do vinho. Na Itália, é meio que norma beber nas refeições. Provamos um Le Salette Valpolicella 2008. Mediano, mediano...
30 euros por pessoa pagos e a noite tinha tudo para acabar ali. Tinha eu disse, porque descobrimos que a Corso Garibaldi continuava até um animado bar chamado Radetzky. A gente não acreditava na quantidade de gente bonita que tinha no lugar. Ficamos ali curtindo o vai e vem por um tempinho.
Já de saída, avistei uma sorveteria que parecia mais um bar de drinks, chamada Icebound. Adivinha?
Entramos ali e cada um pegou um copinho de sorvete. Dois sabores pra mim: chocolate com amêndoas e stracciatela.
Depois de tudo, só ficou a certeza de que todos estes lugares da Corso Como e Corso Garibaldi são daqueles que deixam saudades antes mesmo de ir embora.

10 Corso Como
Corso Como, 10
(+39 02) 2901.3581
http://www.10corsocomo.com/
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L’Incoronata
Corso Garibaldi, 127
(+39 02) 657.0651
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Icebound
Corso Garibaldi, 104
(+39 02) 3659.1930
http://www.icebound.it/
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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Os Encantos da Casa de la Madre

Faz muito tempo, desde que comecei a vir mais a Porto Alegre, que o Diego e o Diogo me falam de um lugar que tem tudo a ver comigo, bem "mulherzinha", do estilo que eu gosto. Trata-se da loja e café Casa de la Madre, no bairro Moinhos de Vento. Pois de tanto ouvir falar resolvi tirar minhas próprias conclusões. De cara me encantei com a decoração "casa de boneca".
O espaço é todo colorido e cheio de detalhes. No salão da frente, com uma janela para rua, ficam as mesas onde funciona o café e onde é servido o almoço. E foi ali que o Diego, nossa querida Didi e eu escolhemos para sentar.
A opção para o almoço é um super saboroso buffet de saladas, com grãos, verdes e vários tipos de molhos, tudo muito saudável e fresco.
Além do buffet, sempre é oferecido uma opção de prato quente e nesse dia a estrela era um escondidinho de peixe, muito bem feito e com um gosto leve de leite de côco. Lembrei das moquecas que comia na minha Floripa.
Depois do escondidinho, ainda dei mais uma passadela na mesa de saladas e fiz mais um prato para dar um arremate na fome, mas foi só de gula porque estava tudo muito bem servido. E antes da sobremesa eu não resisti e fui dar uma volta na loja que funciona junto ao café/restaurante. Provei algumas peças de roupa e me encantei com tudo que estava exposto, desde os objetos de decoração até as bolsas e carteiras. Uma mais linda que a outra.
Ainda por ali, reparei em uma porta que levava ao lado externo, e para minha surpresa e encantamento, tinha uma área com mesas e cadeiras onde também poderíamos ter sentado para almoçar tranquilamente. Da próxima vez esse lugar não me escapa e vou ficar por ali mesmo, nem que seja para tomar um café depois do almoço.
Quando voltei para mesa, a Didi já estava muda mandando ver na sobremesa que ela havia escolhido um quadradinho de bolo, tão quentinho e molhado que precisei provar um pedaço.
O Diego havia prometido, na ultima vez que tinha ido lá, que o gateau de goiabada com sorvete de queijo não escaparia das garras dele e foi essa cena que eu vi: a criatura enlouquecida saboreando esse doce que eu acabei dividindo com ele. Simplesmente delicioso!
Por essa experiência, cerca de vinte reais por pessoa é o que se gasta, sem contar as eventuais comprinhas na loja. Um super programa e não é só para "mulherzinha", pois ali tem muita coisa para homem nenhum botar defeito. Eu já tenho motivo para voltar, me apaixonei por essa estátua aqui dos gordinhos dançando.
Se não é a coisa mais fofa do mundo eu não sei o que é! By the way, meu aniversário esta chegando, ficadica ;)


Casa de la Madre
Rua Tobias da Silva, 139
(51) 30720444
casadelamadre@terra.com.br
www.flickr.com/photos/casadelamadre

domingo, 22 de novembro de 2009

Lombardi's Pizza, a Pizzaria mais antiga dos States!

A excursão feminina por Vegas e NYC continua. E agora a Rê jogou baixo, muito baixo. Elas foram num lugar que é meu sonho de consumo faz anos, a Lombardi's, uma pizzaria muito style em NoLita, NY. Que sacanagem!
Depois de uma longa caminhada pelo SoHo, nada melhor do que sentar para comer uma coisinha. Peguei minha anotações, mapas, recomendações, bússola, ... e me dei conta de que, felizmente, estávamos muito próximas da Lombardi’s Pizza, que fica em NoLita.
Então, demos essa caminhadinha até lá, e quando percebemos, já estávamos na frente da Lombardi's. Foi amor à primeira vista. Primeiro porque é super simples, simpático e aconchegante, e segundo porque adoro uma boa e velha pizza.
E põe velha nisso!! Dizem que é a pizzaria mais antiga da cidade, aberta em 1905. Quer dizer, não só a mais antiga de NY, como também a mais antiga dos EUA, com mais de 100 anos de vida.
A decoração faz a gente se transportar para a Itália. Talvez por causa das típicas toalhas quadriculadas, e por aquele cheiro de forno a lenha no ar. Na parede, fotos do véio Lombardi nos aproximam ainda mais da história deste restaurante!
Bom, vamos mangiare: de entrada, uma Bruschetta em homenagem a Pri, que quando lê esta palavrinha mágica no menu, nunca perdoa! Estava super crocante e temperada com bastante alho, que segundo a Lela, é vida!
Para escolher as pizzas, pedimos ajuda do garçom, que nos indicou duas das Top 5. A primeira foi uma tradicional Pizza Margherita. A massa era deliciosa, bem fininha e crocante.
A segunda era um pouco mais ousada. Pelo menos no nome: White Pizza. A Gica gostou tanto que quase não sobrou para experimentarmos. Mas, pelo pouco que conseguimos comer, percebemos que essa fantástica mistura de queijos é sensacional.Para quem gosta, em todas as pizzas é possível acrescentar os "toppings" (mussarela extra, cebola, tomate, etc.) mas na minha opinião, quanto mais tradicional melhor! Até o preço é tradicional, pois tudo isso saiu U$11 dólares por pessoa. Claro que não tomamos alcool, mas mesmo assim é super justo.
Lombardi's Pizza
32 Spring St.
New York, NY 10012-4173
Fone: +1 212 941 7994
www.firstpizza.com
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