Terça-feira, 14 de Julho de 2009

Naan, uma Viagem Pelo Mundo

A dica de hoje eu venho guardando na manga há tempos. Na minha trip de Bariloche do ano passado, fui ao Naan, a melhor experiência da viagem. Deixei pra postar ela nessa época para todos aqueles que vão encarar a gripe suína (como eu) e se jogar na neve.

O Naan não fica bem no meio do centrão como vários já postados. Tem que se meter um pouco pra dentro da cidade pra encontrá-lo, mas vale muitíssimo a pena.

Por fora, ninguém dá nada pra casinha na rua escura. Mas ao entrar, a vista para toda a Bariloche é impagável. Sugiro fazer uma reserva cedo e pegar a mesa mais próxima da janela.

O restaurante é tocado por um casal fantasticamente simpático, Erica e Gustavo Harsanyi. Ela faz todo o serviço de atendimento e vinhos, ele é o chef. Viajaram o mundo todo, aprenderam de tudo um pouco e acabaram abrindo o próprio restaurante, no qual apresentam pratos de diferentes regiões do planeta.

Enquanto apreciávamos o couvert, já escolhemos o bom vinho Alamos Merlot pra tomar.

A fome era grande e a galera resolveu compartir uma entrada. Salada crocante de folhas verdes, com camembert quente em pão de nozes e endívias braseadas com nozes. Absurdamente bom.

Cada um da mesa foi pra um lado diferente do mundo. Da França, Pedro pediu o Ojo de Bife com molho de vinho e cogumelos secos de pino, com gratin de couve-flor e batatas do campo. A mesa toda se virou pra ele nesse momento e quis bicar. Um show.

Geraldo visitou a China ao provar o Wok de Frango Cantonês com tofu, brócolis, champignons, mani, soja e gengibre. Acompanhado de arroz branco. Interessantíssimo.

Eu me joguei pros lados do Peru e pedi um Seco de Lomo, uma ternera marinada na cerveja negra, com coentro, cominho e alho. Acompanhado de batatas nortenhas. Bem, bem, bem bom.

Estavamos extasiados e não queríamos parar por ali. Pedro pediu o, batido mais imbatível, Petit Gateau com morangos e chantilly. Nessas horas que a gente vê a diferença entre um prato bem feito e os que encontramos em qualquer esquina.

Eu provei o Creme Brulèe. Pedi extra queimadinho em cima como bem gosto.

Ao final, os proprietários ainda bateram um papo com a gente. Dava vontade de ficar papeando por horas e conhecer mais e mais histórias deles pelo mundo. Nos deparamos com o problema deles não aceitarem cartão e tiramos uns dólares do fundo da carteira pra pagar a conta. Em reais saiu cerca de 70 reais por pessoa. Pra menos. E, acredite, com vinho. É motivo pra encarar qualquer gripe do mundo e se jogar pra lá.

Naan
Campichuelo, 568 – Centro
San Carlos de Bariloche – Argentina
(54 2944) 42.17.85
Somente com reservas e não aceita cartões
Localização no Mapa

Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

O Festival de Tainha do Ancoradouro

Inverno em Florianópolis e manezinho que se respeite arruma sempre uma boa desculpa para se deliciar com um dos peixes que, seguramente, é uma das maiores estrelas locais: a Tainha. E como eu não sou mulher de ficar batendo boca por ai ,segui os conselhos dos meus amigos ilhéus e entendi porque, nesse último final de semana, todos os caminhos levavam ao Ancoradouro, lá na praia dos Ingleses. O restaurante fica de frente para o mar, mas não é daqueles pés-sujos de beira de praia, não. É todo bonitinho e organizado. Difícil foi tentar fazer uma foto sem ninguém na frente, até porque o lugar estava super concorrido.

É meus amigos, a Tainha realmente atrai multidões. As pessoas surgem de todos os cantos para saborear essa maravilha.

Mesmo com tempo fechado e com temperatura baixa, minha ilha não consegue ficar feia. Sente só esse visual! E olha só quem saiu lá da Lagoa da Conceição e me seguiu até os Ingleses. Lembram dela?

Para esquentar um pouco tratei logo de tomar um caldinho de peixe. Adivinha só de que peixe era feito o caldo?

Depois provei uns filezitos de tainha grelhados, e esse gratinado de Tainha desfiada com pimentões e batata. Um sucesso!

Claro que meu maior objetivo do dia era me acabar na celebrada Tainha Recheada. E eis que ela surge da cozinha diretamente para o meu prato. Confesso que fazia tempo que não comia um peixe tão saboroso.

Agora dá uma olhadinha nesse close das ovas. Juro que é de comer ajoelhada agradecendo aos Deuses.

Esse festival de Tainha é um evento que acontece esporadicamente, mas o restaurante oferece outras tantas opções de frutos do mar. Então prometo voltar mais vezes e provar o cardápio todo.

Ficamos ali beliscando e bebericando quase a tarde inteira. E esse programa custou apenas 25 reais per capita (fora a bebida). Barato para comer a vontade e ainda aproveitar o clima de inverno da cidade mais bonita do país.

Ancoradouro
Rua Dom João Becker, 355
Ingleses
Florianópolis
(48) 3369 6060
Cartões: Todos
www.ancoradouroingleses.com.br

Domingo, 12 de Julho de 2009

Miranda, uma Parrilla Fashion

Eu já estava quase convicto de que, para um restaurante servir parrilla em Buenos Aires, o lugar precisaria ser sujo, feio, num ambiente escuro, com garçons velhos e extremamente grossos, e que fosse inimigo mortal do guardanapo de pano branco. Essa seria uma das minhas últimas investidas.

A Miranda me fez acreditar que sim, existe um mundo melhor neste sentido. Ambiente com aquele ar neo-industrial, muita iluminação natural, muita gente jovem e bonita, equipe bem-humorada e estilosa, e um bom guardanapo branco de pano, bem engomadinho.

Tem um pé direito bem alto com dois ambientes, fora as mesas na rua. Ficamos no andar de cima, o que facilitou nossa vida pra tirar umas fotos panorâmicas bem legais.

Dava até pra cuidar a nossa vez na parrilla. Se bem que nem ficamos olhando muito, confesso.

Porque tratamos de pedir umas entradinhas, pra regular a lenta. Primeiro uma linguicinha e o queijinho parrillero de todas as horas.

Em seguida foi a vez dos principales. A Pri e eu optamos por um vacio. Tava ótimo e veio no ponto.

Mas infelizmente, por melhor que ele estivesse, foi completamente ofuscado pelo ojo de bife com papas, e ovo frito dentro do morrón da Rê e do Angelo. Talvez esse tenha sido um dos pratos mais coloridos, simples e geniais que eu tenha presenciado. Presenciado mesmo, porque não me deixaram prová-lo.

Como nos comportamos bem e nem tomamos vinho, merecemos sobremesa. Um crepe de dulce de leche pra mim e pra Rê. Poderia estar um tantinho mais caliente talvez. E sigo sem entender porque as pessoas tem a péssima mania de estragar sobremesas tão deliciosas com uma bola de sorvete em cima. Gente, deixa molengão o crepe, ok? Não façam mais.

E uma panqueca de dulce de leche pra Pri e pro Angelo. Fora a bola de sorvete no crepe, ambas surpreenderam.

Buenos Aires não cansa de nos surpreender: 40 reais por pessoa. Impressionante do primeiro ao último minuto.


Miranda
Costa Rica 5602, y Fitz Roy - Palermo
Buenos Aires
Fone: (54 11) 4771.4255
www.parrillamiranda.com
Todos os cartões

Sexta-feira, 10 de Julho de 2009

Persicco vs Freddo, a Batalha dos Helados

Sou um sorvete maníaco. Sim, um viciado assumido, daqueles que não sabem se comportar direito quando aparece um na frente. Ir a Buenos Aires pra mim significa se perder no Freddo. Sempre foi. Porém, nos últimos anos surgiu um concorrente de peso, a Persicco. Na última trip, eu e Geraldo, outro viciado no assunto, fomos tirar uma febre dos dois numa batalha épica.
Começamos pela Persicco. Reza a lenda que esta sorveteria foi aberta pela mesma família que fizera o Freddo e depois o vendeu. Não duvido, porque os estilos de negócio são bem parecidos.
As sorveterias estão espalhadas pela cidade, mas escolhemos a bela casa da Salguero para provar. O lugar é bem bonito e agradável, daqueles pra se jogar por horas. Me pareceu mais cuidado que as filias do Freddo, talvez por serem lojas mais novas. Curti muito a identidade visual deles.
Ambas tem o mesmo sistema. Paga no caixa, pega o ticket e espera o número para escolher seu pedido dos sabores. Era bem difícil eu não escolher ¼ de litro. E por mais interessantes que fossem as outras opções como brownies e cupcakes, sempre fui fiel ao sorvete.
Cheguei no caixa e bateu aquela dúvida cruel de quais escolher. Primeiro sabor: Bomboncitto Ricco, com sorvete de Dulce de leche, flocos de chocolate, doce de leite natural e rum. Segundo sabor: Chocolate Persicco, com sorvete de chocolate, trocitos de chocolate, nozes e conhaque. Terceiro e mais sensacional sabor: Crema Mascarpone com frutas vermelhas. Este último é de lamber o copinho. Os dois primeiros são bons, mas o rum e o conhaque podiam ser mais leves.
Geraldo foi mais conservador num cone de Dulce de Leche Granizado. Sempre bom. Provei também para fazer a comparação com o do Freddo depois.
Buenas, vamos pro Freddo. Foram umas 5 visitas ao longo da trip pra ser sincero.
O ambiente é um pouco mais caído. O foco lá fica no sorvete mesmo. Parei na frente do balcão mais uma vez e me contorci pra não pedir Dulce de Leche Tentación e Dulce de Leche Granizado.
Tinha que ser bravo e provar sabores diferentes. Primeiro sabor: Malbec e Frutas Vermelhas. Segundo sabor: Chocolate Suíço. Terceiro sabor: Dulce de Leche Granizado. Nem preciso dizer que o Dulce de Leche matou a pau. Mas o de Malbec também é mega ousado e gostoso.
Dessa vez o Geraldo foi mais ousada e pediu um cone de Menta Granizado. Beeeeeeeeeem interessante.
Tanto é que eu não sei me comportar, que antes de sair mandei fazer dois potes de meio litro pra levar pra casa. Freddo no freezer do apê que alugamos por lá foi o maior luxo da trip. Esse sorvete na volta da Crobar foi como encontrar água no deserto...
E o que dizer da opção de acrescentar mais do original Dulce de Leche deles? Priceless.
Bom. Resumo da ópera. Aqui vai a minha opinião comparando Persicco ao Freddo.

Lojas e ambiente: Ponto pra Persicco. Lojas bem mais limpas e aconchegantes.
Localização das lojas: Freddo ganha nesse quesito. Muito mais espalhada pela cidade. O único ponto bom pra Persicco é a filial dentro do aeroporto. Adivinha quem se perdeu antes de embarcar?
Sorvete: Poderia tranquilamente decretar aqui um empate técnico. O de Mascarpone da Perssico foi um dos melhores que já comi na vida. Porém, tá pra nascer algo melhor que os de Dulce de Leche da Freddo. Não posso mentir...
Criatividade dos sabores: Freddo neles. O de Malbec me ganhou.
Identidade visual e apresentação: Persicco, sem dúvidas.
Preço: empate. São muito parecidos. Ficam na faixa de 10 a 20 pesos em geral.

O fato é que os dois são excelentes pra ir sem medo. Cada um vai preferir mais um ou outro. Na dúvida, vá nos dois!

Persicco
Salguero, 2591 – Palermo
Buenos Aires – Argentina
Outras filiais no site
0800.333.7377
www.persicco.com

Freddo
Av. Del Libertador, 5200
Buenos Aires – Argentina
Outras filiais no site
www.freddo.com.ar

Quarta-feira, 8 de Julho de 2009

Destemperos Amazônicos no Canto da Peixada

A dica de hoje é do nosso grande amigo, Marco Mascarello, que assim como nós adora provar novidades. Essa ele foi buscar lá em Manaus. Preciso avisar também que, qualquer semelhança com os bordões de Galvão Bueno não é mera coincidência, o guri é fã mesmo. Bem amigos, agora é com o Marco!

Quem tem boca vai a Roma e, quem é consultor vai para vários lugares. Jamais tinha pensado em passar uns dias em Manaus até que a vida se encarregou de me arrumar um trabalhinho por lá. Numa noite dessas, me fui, junto com dois colegas, a experimentar algumas das inusitadas iguarias do norte do país.

Como tinha esquecido em casa meu Lonely Planet Manaus, resolvi pesquisar com os melhores consultores turísticos manauaras, os taxistas, que unanimamente recomendaram o Restaurante Canto da Peixada; então, bora pra lá!

O lugar é bastante simples, apesar do ar condicionado que aqui, por conta do calor e da umidade, é item de série, não saia de casa sem ele, amigo. Como estávamos numa vibe meio sauna, optamos por uma mesinha na calçada e já fomos surpreendidos pela sabedoria local estampada na decoração: “Tome sopa de piranha, não tem contra indicação, é bom para o coração e melhor que Viagra”. Ali quiridu, no cantinho do toldo...
Sente essa, tu paga por uma refeição e ainda leva de lambuja conselhos de longevidade.

Devidamente instalados, suplicamos por uma gaseosa para matar a sede... um guaranazito, afinal estamos na Amazônia. SURPRESA: os guaranás por aqui são bem mais concentrados e com um gosto único, na hora já imaginei algum drink com ele, tudo a ver. Eu poderia dizer que supera o famoso Guaraná Polar, mas a nostalgia e o gosto da infância me impedem. Curte a cor do excelente Guaraná Magistral.

Como diria nosso amigo Galvão... “é amigo, não tem mais bobo no cardápio” e assim, fomos ao vivo e em definitivo para os pratos principais e as escolhas da noite foram as estrelas do Rio Solimões.

Munido de um espírito gaudério e já com uma saudadezinha de casa, chamei numa Costela de Tambaqui na brasa. O Tambaqui, que também conhecido como Pacu Vermelho, é um peixe de água doce que pode chegar a pesar 45 quilos e se alimenta de frutas e sementes. E se, you are what you eat, essa dieta certamente se apresentaria na costela. Dito e feito, a costela estava ótima, tenra, lembra uma costelinha de porco, mas bemmmm mais leve... Da uma olhada!

Como a fome tava grande, pedimos, para acompanhar a excelente costela, uma Matrinxã sem espinhas. Um luxo. Espetacular. Ela tem uma quantidade absurda de espinhas, mas alguns restaurantes conseguem tirá-las, dizem eles, com uma técnica milenar aprendida com os índios, que deixa esse peixe, que lembra bastante um Dourado, com um filé livre de qualquer incomodo na hora de saboreá-lo. Assim como o Tambaqui, a Matrinxã não tem aquele gosto de terra que algumas pessoas reclamam em alguns peixes, especialmente nos peixes de rio. A Matrinxã certamente ocuparia um lugar no podium dos melhores peixes que cruzaram meu caminho. Suculento e com o toque da cebola, pimentões e cebolinha ficou demais.

Para acompanhar, o garçom nos trouxe um Baião de Dois. Na versão amazônica, é feito com arroz, feijão corda, coentro, tempero verde e queijo. Bonzinho, cumpriu bem a função de acompanhante.

Depois de tudo isso, agradecemos à Netuno e tomamos nosso rumo, não sem antes pagar a conta que contabilizou R$ 37,00 per capita. Uma bela experiência.

Restaurante Canto da Peixada
Rua Emilio Moreira, 1677
Manaus, AM
Tel: (92) 3234-3021
Email: cantodapeixada@gmail.com
Seg a Sab: das 11:30 às 15:30 e das 18:00 às 22:30
Dom: das 11:30 às 15:30

Terça-feira, 7 de Julho de 2009

O Novo Cardápio de Bordo da Gol

Fomos gentilmente convidados, juntamente do Marcelo Katsuki, da Roberta Malta, Alessandra Blanco e Cristiana Couto, para fazer um voo GRU-POA e emitir o nosso parecer sobre esse complemento ao serviço de bordo original da Gol.
O cardápio, que por hora é disponibilizado somente nos voos saindo de Guarulhos e com no mínimo uma hora e meia de duração, aparentemente é bem divertido. Mas ainda deixa algumas dúvidas no ar. Por exemplo: com exceção das bebidas alcoólicas (vinho, que na hora a opção era uma mini-garrafa de tinto chileno, e cerveja) e dos cafés, todas as demais bebidas, como refrigerantes, sucos e águas, ainda podem ser ordenadas gratuitamente pelo carrinho do serviço convencional, que segue passando normalmente.

Daí então, quando bati o olho num combo que seria a minha pedida (o combo 1: sanduiche + refrigerante + chocolate = 15,00), pensei: mas peraí, porque é que eu vou pagar por um refrigerante, se eu posso pegar do carrinho com reposição ilimitada (desde que dentro do bom senso)?! Daí resolvi comprar só o sanduba mesmo, dispensei o chocolate, e pedi uma água.

A minha primeira opção seria o gourmet (sanduíche no pão com parmesão, rúcula, queijo gouda fatiado, salame italiano e queijo cremoso). Mas como o Kats, que tava do meu lado, pediu esse, e como tenho a mania de ser diferentão, fui no caprese, que naturalmente era recheado com mussarella de búfala, tomate, azeite de oliva e manjericão, no pão trançado.

Olha, devo dizer que poderia ter vindo mais sortido. Tanto as rodelas de mussarela quanto as de tomate estavam muito na frente e deixavam a retaguarda do sanduba comprometida. Mas ponto positivo para o pão, que tava macio e novo, e principalmente sem aquele gosto enjoativo de manteiga barata, característico da grande maioria dos lanches comprados em aeroporto.

E é aí que eu quero chegar. Prefiro comer um sanduíche normal, pero cumpridor como esse, dentro do avião, do que um pão de queijo a 8 reais ou uma torrada a 13 reais na área de embarque. Pelo menos ali o bom atendimento é garantido.

Quando o Comandante avisa que estávamos em processo de aterrisagem, a nota fiscal personalizada é entregue, e tá tudo resolvido.

Gastei 10 reais pelo sanduíche caprese, porque tomei a água do carrinho que não é cobrada. Ainda acho um pouco caro, poderia ser mais acessível até mesmo para incentivar o uso do novo serviço. Mas se sentirem fome ou se o amendoinzinho não for suficiente, pode ir tranquilo no sanduba que ele cumpre bem o seu papel.

O Menu Degustação de Caças Nativas do El Baqueano

Sou um curioso de marca maior. Volta e meia, completamente movido pela curiosidade, evito pedir um prato óbvio que seguramente não teria erro, pra pegar um diferentão só pra ver qualé e descobrir um novo sabor, ver como a textura se comporta na boca. Enfim, gosto de novidades.
Por essas e outras que paramos no El Baqueano, um restaurante de caças exóticas nativas da Argentina que fica no boêmio bairro de San Telmo e é coordenado por um dos chefs do momento em Buenos Aires, chamado Fernando Pablo Rivarola. E muito embora tenha o vermelho como a cor predominante, misturado com muita madeira, deixa um pouco a desejar na iluminação. Sofri como cachorro pra tirar as fotos.

Mas talvez seja justamente essa a proposta, de criar um ambiente bem exótico e fugindo um pouco da mesmice. Admiro gente assim, que não tá nem aí e inova mesmo. Tem que ter personalidade. O chef e sua respectiva, que é quem fiscaliza o salão, moraram muito tempo na Espanha e trouxeram na bagagem um know-how super interessante da culinária molecular.

Eles se amarram em desconstruções e texturas. Pra verificar isso, e seguindo aquele conceito de estar suscetível às novidades, fui no menu degustação de 8 pasos com o Angelo. As meninas ficaram um pouco amedrontadas quanto leram na carta nomes como "chinchila", "jacaré" e "lhama". E pra facilitar as coisas, primeiro descreverei o menu degustação, senão me perco e complico tudo.

Começamos o circuito com umas batatas em texturas distintas: fria, morna e quente. A fria era um caldinho bem interessante. A morna era a tortinha, deliciosa. E a quente era um purê de comer ajoelhado.

Em seguida veio uma salada de folhas e flores comestíveis. Sempre quis provar essas coisas. Taí o que você queria. Ah, e manja... alface? Pois é, as flores tem gosto de alface. Talvez puras até tenham lá um outro sabor, mas misturadas ao balsâmico, não dá pra distinguir muito não.

Passo seguinte, um carpaccio de lhama. Bem bom. Olha, bem bom mesmo. Suave, com um salgadinho no fundo bem exótico. E sim, dá pra notar diferença entre os carpaccios convencionais.

Chegou a hora da melhor empanada da minha vida. Sequinha por fora e molhadinha por dentro. Massa fina e muito recheio. Sem enganação. E sabe de que era? Empanada de jacaré. Já tinha provado o réptil numa outra textura. Mas essa daqui me tirou do sério.

Depois disso era difícil alguma outra coisa nos surpreender. Até que veio um medalhão de faisão com confit de cebolas e crocante de bacon. Só provando pra saber. O empanado tava crocante e feito com uma excelência magistral. E esse crocante de bacon é de parar o trânsito.

O golpe derradeiro foi um enrolado de nhandú (que segundo a moça trata-se de um avestruz numa versão pocket) com recheio de frutas vermelhas, perfume de bacon e um aipim frito. Foi o menos surpreendente. Não sei se por ter sido o último, ou pela minha leve antipatia com a textura da carne de avestruz (ops, nhandú).

Aí veio o que para mim já teria valido o jantar (junto com a empanada). A sobremesa mais inesquecível desses meus vinte e poucos anos: uma torta de queijo mascarpone cremoso, acompanhado de uns simples dadinhos de abóbora caramelizada com uma sensualíssima espuma de malbec. Calcula espuma de malbec. É uma coisa inenarrável. Ao mesmo tempo que tem a textura de uma espuma, na boca apresenta-se um pouco cremosa. Quero de presente de aniversário uma "garrafa" desse malbec.

Pra finalizar o menu degustação da ala masculina, maçã em quatro texturas: em forma de bolinho, em forma de sorvete, num caldinho gelado delicioso, e desidratada. Serviu pra fechar com chave de ouro e refrescar o paladar depois dessa farra gastronômica.

Paralelamente ao nosso menu degustação, a Rê e a Pri foram mais ortodoxas e jogaram na defensiva. A Pri foi numa perdiz cozida em baixa temperatura, com molho de sua própria redução e o crocante de bacon.

Já a Rê pediu a versão original do nosso faisão com confit de cebolas e crocante de bacon. Só que bem mais fotogênico. E com mais crocante de bacon. De babar no umbigo.

A sobremesa das duas foi a mesma: um pequeno gateau de chocolate 60% amargo, sorvete de vanilla e dadinhos de abóbora caramelizada. Foram muito bem. Foi o gateau mais caprichado que eu já vi. Só vi, porque não consegui experimentar.

Acabei nem elogiando o atendimento próximo, não-invasivo, educado e sempre prestativo. É que também, com um cardápio desses, acabou ficando em segundo plano. De qualquer forma, não posso deixar de citar. E sabe quanto custou isso tudo e mais duas garrafas de vinho? Chuta. Vai errar certo. 80 reais por pessoa. Tem como não amar?


El Baqueano - Carnes Autóctonas
Chile 495 y Bolivar - San Telmo
Buenos Aires
Fone: (54 11) 4342.0802
www.restoelbaqueano.com

Domingo, 5 de Julho de 2009

Vin Caffé, um Multiuso na Serra

Durante todo o primeiro semestre desse ano tive o prazer de ir com uma boa frequência para Bento Gonçalves por motivos profissionais. Por lá, eu e meus sócios, Gustavo e Baccaro, adotamos um lugar para ser o nosso QG de todas as horas: o multiuso Vin Caffé.
O lugar é muito interessante pois fica dentro de um castelinho que abriga outros restaurantes, lojas e hotéis. Isso confere ao ambiente um clima lúdico e relaxante.
O Vin Caffé tem dois ambiente. O interno é mais calmo e frio. Por outro lado, oferece boas opções de entretenimento.
Opções estas como o belo tabuleiro de xadrez aí embaixo.
Mas o ambiente que a gente mais curte é o externo. Não bem externo, porque tem um teto de vidro. Porém, o aspecto de vila medieval é tudo a ver e as poltronas dali são bem mais aconchegantes.
O que eu gosto no Vin Caffé é a versatilidade. Eles começam cedinho com um café da manhã junto ao hotel do castelinho e vai até um jantar no início da noite. Tanto é, que este post revela umas duas ou três idas em diferentes horários. Pra começar, vale destacar o omelete com funghi secchi.
O meu preferido do cardápio é o croissaint com camarões gratinados no queijo com alho poró. Um dos melhores sandubas que já comi. E sente a quantidade de queijo.
Certa vez, provei um interessante quiche de queijo de cabra e tomates secos. Ótimo para um fim de tarde.
O Gustavo gosta muito do sanduíche Castelo Brando, com pão preto, chester, queijo de minas, tomate, alface, molho de iogurte, mel e mostarda.
E o Baccaro volta e meia pedia o bolo de nozes com vinho. Vou te dizer que com essa caldinha de chocolate junto e saindo quentinho do forno, é de chorar.
Mérito total ao Vin Caffé por ter uma belíssima seleção de azeites dos mais variados sabores e regiões do mundo. Na foto abaixo, estão três dos meus preferidos entre as opções.
Ah, e não dá pra esquecer dos inúmeros espressos que tomamos por lá.
O preço? Varia muito do que você for pedir, mas não foge muito de 15 reais. Mas, se você quiser provar uma cerveja da vasta carta da bebida, vai pagar um pouquinho mais.

Vin Caffé
Rodovia RST 470, km 221,6 – Junto ao Castelo Benvenutti
Garibaldi – RS
(54) 3463.8430
http://www.vincaffe.com.br/

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

Fim de Tarde Abençoado no Café Santo de Casa

A Casa de Cultura Mario Quintana, em Porto Alegre, é um ponto turístico consagrado e hoje ocupa o espaço do antigo Hotel Majestic, no centro da cidade. Por si só, o lugar já é uma atração, com sete andares cheios de exposições de arte e vários espaços culturais para pratica de dança e música, entre outras performances. Além disso tudo, lá no alto, no sétimo andar e com vista privilegiada para o Guaíba e para os prédios da cidade fica o Café Santo de Casa. Isso mesmo, o café fica ali nessa parte iluminada.

Pelo nome, a decoração não poderia ter outra temática que não inspirada nos Santos, e eles estão por toda parte, só de olho. “Pé de pato mangalô três vezes!”

Adorei a bruxinha voando despreocupada sobre o balcão do bar.

Na parte interna, o ambiente é acolhedor com iluminação suave e mesas confortáveis, perfeitas para estender o almoço até o jantar.

Nesse dia, optei por sentar na parte externa e curtir o por do sol. Ali é bem concorrido, mas com um pouquinho de paciência sempre da para conseguir uma mesa.

Ainda nessa parte externa, sempre rola uma música ao vivo, com os mais variados artistas e estilos musicais. Nesse dia rolou uma MPB deliciosa.

Antes mesmo de olhar o cardápio, percebi um grupo de meninas num cantinho tomando algo que me parecia familiar. O internacional e girly cosmopolitan. Não tive dúvidas e pedi o meu antes mesmo de sentar.

Tínhamos almoçado super bem, mas o cardápio oferece tantas opções que não teve como não provar algum dos deliciosos petiscos, todos com nomes divertidos. Começamos com o Misericórdia, que é uma casquinha recheada com duo de carnes, charque puxado no capricho e carne de panela desfiada e aromatizada com ervas. Ainda acompanha vinagrete e uma pimenta biquinho que eu adoro.

Depois, o diferente Espírito Santo (mini hambúrguer de: carne, frango, porco, cordeiro, salmão e vegetariano). Acompanhados por molho rosé, picante e de alho.

A continha veio camarada e saiu uns 40 reais com a bebida. Depois disso só podia ir embora feliz da vida e abençoada. Amém!


Café Santo de Casa
Casa de Cultura Mario Quintana
Andrade 736 – Sétimo Andar
(51) 3226 0789
Cartões: Visa e Master

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

Pit-Stop no Mark's Deli & Coffee House

Antes de irmos pra Buenos Aires, o Diego disse uma coisa que não esqueci: "Dá um jeito de passar no Mark's Deli, em Palermo. Nem sei o que tem pra comer lá, só sei que é a maior concentração de argentinas lindas da cidade". Tá.
Não sei bem o porquê (!), mas fiquei com isso na cabeça. E eis que passamos pela frente do lugar. Ah, vamos entrando então né pessoal.

Fazia um frio inacreditável. Daí até cogitamos sentar num páteozinho que tem aqueles chapelões de aquecimento. Mas não tivemos tanta coragem quanto as amigas que, de tão tranquilas, estavam inclusive fazendo as unhas.

Mas daí notei que ninguém vinha nos atender. Perguntei pra uma das meninas que trabalhava lá e ela disse que tinhamos que ordenar com base no quadro negro. Ah tá, legal. Vamos lá então.

Daí a Rê só quis um submarino mesmo. Tava muito bom e cumpriu o seu papel, que era de aquecer o corpo.

Até pensei em pedir um submarino. Mas queria aquecer mais o corpo. Daí resolvi pedir um Bailey's coffee. Curti.

E como já estávamos ali e tal, acabei pedindo também o sanduba número 8, com salmão defumado, queijo brie, rúcula e creamcheese. Normal. Não sei se pediria novamente. O pão não tava zero bala e o salmão tava muito grosso e chicletento.

Concluo o seguinte: o Mark's Deli é ideal para ver as argentinas, para passar o tempo tomando uma bebida quente e para ficar vendo o vai-vém Palermenho. Dizem também que tem um fantástico café da manhã, para aqueles que alugam apê nas redondezas da El Salvador.

Pagamos um total de 30 reais e voltamos às compras por essa região que é a que mais me encanta na cidade.

Mark's Deli & Coffee House
El Salvador, 4701 - Palermo
Buenos Aires
Fone: (54 11) 4832.6244
www.markspalermo.com